Friday, February 24, 2006

Uma questão de olhar


Vagueio sempre sobre ruínas descarnadas
Enquanto as pérolas caem das folhas
Depois de uma noite invernosa.
Gostava de saber olhar o dorso de uma nuvem
Ou o levantar de uma maré de Agosto
Sem que os olhos duvidassem.

14 comments:

Carlos Estroia said...

"Enquanto as pérolas caem das folhas
Depois de uma noite invernosa."

Amanhece a Primavera
em botões de rosa que anoitecem em pétalas


São ciclos, é como a Lua
Duvidamos sempre da outra face, a escondida, mas dai nasce o mistério

Abraços

Leo said...

Hoje estou com este espírito: será que o que leio é apenas uma figura de estilo ou será que é isto que vai na alma de quem escreve (sendo que este "isto" é sempre sujeito à nossa interpretação...)?

E se não for a mera figura de estilo (que está soberba, diga-se) inquieta-me a hipótese de ser verdadeiro o adágio que diz que os olhos são o espelho da alma. Poderão aqueles de quem amamos as palavras ser-nos próximos de alguma forma, mesmo na distância do tempo ou do espaço?

Vou-me já embora que isto está a pender para o dramatismo, antes que apague o comentário... :-) Fica bem!

pirata vermelho said...

ah...este bocadinho é bonito.
havias de o ver, a este texto, de um lado oposto; a dizer o mesmo pela afirmativa crente que justamente anuncias

chuvamiuda said...

.....é preciso acreditar que no meio das ruínas, pode encontrar-se uma pérola.....
Kiss

ikivuku said...

A mancha do poema são dois barcos paralelos à beira do cais, ansiosos por se soltar para o ritmo concreto da aventura. É fina como gume de navalha a separação entre o rumo certo e a deriva. Valerá a pena o esforço da escolha?
Mas sim, há um dúvida no olhar: porque pode acontecer que o olhar veja o que lá está e não o que quer ver.

Fatyly said...

a realidade sentida de um simples olhar. Gostei da vida que destes à foto! Bom fim de semana!

sem cantigas said...

olha, costumo dizer que onde vivo há frio gelado e calor em brasa, e qdo está frio não acredito que possa haver tanto calor no mesmo lugar onde no momento sinto tanto frio, é como dizes não acredito que haja agosto em dias destes...
(faz as analogias que quiseres!)
gostei, é infinito o sentido

mfc said...

A realidade não é o que está lá, mas aquilo que se vê!

jp said...

a duvida persistente cansa
mas todos temos as nossas defesas
:-)*

alice said...

quando os olhos cegarem as dúvidas, as lágrimas substituirão os risos, não chore por aí, antes pelas palavras, nós agradecemos estas pérolas
eu agradeço
beijinho, alice

Rosalina said...

"Gostava de saber olhar o dorso de uma nuvem
Ou o levantar de uma maré de Agosto
Sem que os olhos duvidassem."

...também gostava...

addiragram said...

Quem enuncia a beleza,desenha-a.

Alessandro_PPG said...

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Joaninha said...

As pérolas que são o orvalho matinal,
ou as lágrimas de nuvens tristes.
Mas têm sempre uma beleza sem igual,
igual à que está em mim, porque existes...
Beijinhos