
Lembro-me sempre dos dias em que vinhas carregado de palavras
E eu te ouvia pela madrugada
Era como se fosses barco e trouxesses contigo o vento
Ou os salpicos de espuma sobre a promessa do tempo eterno
Pousava o braço no calor da tua pele e acreditava
Que a viagem seria longa.
Lembro-me também das borboletas nos jardins
E até do aroma das árvores que costumavam abrigar-nos
Quando éramos muito novos e descobríamos sempre o lado de lá dos espelhos.
Se abrir as gavetas encontro ainda as imagens
Guardei-as sem ordem
Para não ter de encadear o tempo dentro dos olhos;
Mas isso é nos dias em que me sento ao lado da memória
E dou comigo a questionar todas as razões.
Agora, sem mapa que me leve ao rumo inicial
É nas minhas mãos que leio a geografia alternativa.
15 comments:
Perder a alegria de olhar apenas o que se vê.
Mas não percas a alegria de ir ao Plagiadíssimo.
Fica bem.
Percebo tudo isso.
Texto muito bom. Escrito com muito sentimento... fiquei triste...
bjs
"Mas isso é nos dias em que me sento ao lado da memória
E dou comigo a questionar todas as razões."
Volta e meia, também me acontece!
nas mãos que outrora leram as outras mãos?
também devemos aprender a ler as mãos dos outros, para conseguir interpretar parte das nossas
o pirata anda a repetir-se...
:-)***
Saudades de um Fim de Semana passado...
"Mas isso é nos dias em que me sento ao lado da memória
E dou comigo a questionar todas as razões."
Beijo grande, de mim !
De uma forma ou de outra, há momentos em que nada fica emoldurado! Gostei muito!
"Quando éramos muito novos e descobríamos sempre o lado de lá dos espelhos."
Continuas a escrever muito bem!
Apesar de uma certa amargura que escorre das palavras.
A ordenação, por vezes, dá-nos a sensação de desarrumação. É preferível vermos as imagens "frame" a "frame"... não se fazem as ligações dolorosas!
.....até o gelo se transforma em orvalho.....
"Guardei-as sem ordem"...
é uma ilusão pensar que as imagens se guardam sem ordem. pode não ser a cronológica...mas há sempre uma ordem.
as imagens assaltam-nos apanhando-nos desprevenidos, são fragmentos de tempo que emoldurámos sem saber, e por vezes damos conta, que temos imensas molduras desordenadas, e isso no entanto, são os fragmentos de uma vida...
E É NAS TUAS PALAVRAS QUE LEIO AS LINHAS DE UMA MÃO...ESTENDIDA...
BEIJO.
SEMPRE.
Desculpa lá, mas agora queremos um poema em que o céu esteja todo azul e nem no extremo do horizonte se encontrem sequer uns farrapos de nuvens.
Desculpa lá, mas agora queremos uma primavera bem aberta e florida que acabe de vez com este inverno exagerado e persistente que já sobra.
Desculpa lá, mas agora queremos um sorriso, um gesto terno e esperançoso, um passo de dança dado com alegria e luminosidade.
Desculpa lá, mas agora queremos que do desalinho das palavras belas saia um texto que active o sonho e recupere a insistência do desejo.
Desculpa lá...
Desculpa lá... mas por uma vez, faz a vontade ao Zumbido!
agradeço aos meus amigos sábios.
eu sei que não sou tema, percebo o teu ponto de vista pirata;
e já reflecti sobre a utilidade deste espaço, sim, sabendo que a ideia inicial (falo dos blogues em geral) tinha a ver com a actividade jornalística e depois, naturalmente, a crítica social e todas as outras criticas.
sou a primeira a condenar a utilização de espaço público (este é) para registos de desabafos diários; Não queria estar a fazer o mesmo mas tem acontecido que escrevo lamúrias e que depois vêm os amigos trazer conforto. Vamos ter em conta que é coisa circunstancial.
Mas não prometo fazer jornalismo. Posso tentar a crónica mas ainda assim a quem interessará aminha opinião? quando muito posso trazer os pretextos para que as visitas prossigam e se gere a discussão. é uma possibilidade...
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