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Sunday, May 02, 2010

veio do mar...

foto de Elipse


Ele veio em sossego e ela, soterrada em esperas, abriu o espaço:

um firmamento onde escreverá todos os verbos.



Friday, April 02, 2010

Prisão

foto de Elipse

Teia da espera, teia do estar por estar.
Teia elíptica, ácida, áspera.

Coisa colada ao nome das coisas com fios de simulação.

Sacrifício de silêncio e baba, jogo solitário da memória.
Substância difusa, resguardo obscuro alinhado conta o estar.
Corola desfeita pelo sopro do tempo. Versão original de uma arte extinta.
Ardil sangrento sobre a sepultura de um cântico redentor.
Prisão.
Tecida pelo lado de dentro.

Tuesday, August 12, 2008

Roteiro de uma viagem por outros mundos



Chega-se a um outro mundo.

Tem-se a consciência de estar verdadeiramente noutro continente, embora a pobreza não nos seja estranha e muito menos a ostentação dos privilegiados. Tem de tudo a Tunísia. Mas chega-se a um mundo diferente onde o calor é uma onda que nos bafeja e nos envolve: umas vezes deixa-nos o corpo sem acção; outras vezes atiça.
Tunis é um caos mas na avenida Bourguiba anda-se à vontade na azáfama do dia; melhor ainda na luminosidade da noite.
Cartago prende pelo azul do mar: um azul que nunca tinha visto, mesmo conhecendo já o Mediterrâneo. Encanto à chegada. Local de cruzamento de civilizações, com marcas de vários passados.
Sidi Bou Said é uma encosta cheia de azul nas janelas e nas portas. E de novo o mar e o cheiro a encanto. Chá de menta para refrescar, numa esplanada. E o assédio dos vendedores, o regateio até à exaustão. Os dinares tilintam no meio das pulseiras e dos brincos. Vem ver, vem ver!
As águas são transparentes em Hammamet e daqui para a frente toda a costa está pejada de turistas, de Sousse a Monastir. Divertem-se os europeus nas águas quentes e na movimentação estival.

Prosseguimos e entramos de novo no passado, em El Djem, onde um coliseu quase intacto nos confronta com mais algumas marcas da presença romana.
Ilha das sereias – Djerba – onde dois mundos convivem: o mundo árabe e o mundo judeu, a sinagoga e a mesquita. E a sedução da joalharia. E a paisagem.
Depois Gabes, a linha costeira, as indústrias, raras neste país de contrastes. E estamos a entrar na paisagem lunar de Matmata, povoação berbere com habitações trogloditas, escavadas na montanha, buracos frescos na secura árida da envolvência. E depois Kebili, a porta do deserto, a caminho de Tozeur, a região dos palmeirais. Deliciosa a frescura dos oásis, nas três alturas dos seus cultivos, das ervas de cheiro às palmeiras imponentes. Pelo meio os figos, as romãs…
Tozeur… onde deixei o coração.
De regresso à capital ainda se visitam as ruínas de Sbeltla onde se fotografam os capitéis, quase intactos, que envolvem o teatro romano; e depois Kairouan, a quarta cidade santa do Islão.
Cheira a especiarias e a couros e a perfumes no regresso à Medina de Tunis. Tudo brilha. O colorido enche os olhos. Regateiam-se os preços naquele ritual próprio e os vendedores insinuam-se com as mulheres ocidentais. É um jogo de sedução que se alimenta. Negócio à vista.
Trouxe uma mala de encantos. Meia dúzia de bugigangas e um torvelinho de emoções.
Tenho de voltar.





Sunday, August 10, 2008

Regresso




Trago uma mala de encantos sem fecho nem cadeado, um cheirinho a noites quentes, um colorido
nos olhos, uma pulseira de cobre e uns pendentes caídos dos cabelos encrespados pelo vento da
planura, pelo sol que no deserto nos atravessa a loucura e nos encanta o sorriso copiado de outros
olhos; trago tâmaras e sons, vozes meladas, odores; trago rosas do deserto misturadas com o
mar; encantamentos de azul, mil e uma noites só numa.
Trago uma mala de encantos mas deixei o coração perdido nos palmeirais.





Saturday, March 10, 2007

5. a razão

Koré - Grécia Antiga






não lhe chega ter prescindido do riso leve e solto, não lhe chega ter guardado a espontaneidade dos gestos, não lhe chega a reclusão do corpo; quer mais de mim, a razão.
diz que contrair os lábios é teimosia que sai do sentimento; vai ao lugar do esconderijo e diz aos gestos que não há nobreza no esforço se eles se encolhem no lado de dentro do mármore; impõe-me o olhar directo ao sol e diz que é necessário resistir.
concedo-lhe o poder de me comandar os passos.
estou nas suas mãos. diz que não é suficiente.
exige que entregue a vida.

Sunday, January 21, 2007

"sol de inverno"


Foto e título gentilmente cedidos por Tinta Permanente


Prendem-se nos cabelos fios de espuma; e ficam, descolorando o fulgor das labutas antigas, agora em braçadas mais lentas.

Se estou cansada? Não me vês o cair dos braços? Mas ainda seguro a panela sobre as brasas e sopro. Prova! Prova que são boas!
Não me quero encostada à parede do fundo d’uma garagem à espera da morte. Nunca os viste? Basta que não possam mexer as pernas e zás, escondem-nos em buracos, fecham-nos a dizer que são lares aquelas caves húmidas. Antes a minha que é velha mas tenho lá nas gavetas a minha vida toda.

No início é um desejo quase lume que consome a precipitação tornando-a erro. Mas só depois a vista o descortina e o aponta; tarde demais e ainda bem. Se o futuro fosse uma tela transparente a emoção morria.

Tenho filhos mas eles têm a vida deles. Que mais dá? Não quero que me dêem ainda a sopa à boca, nem sei se dão, que a vida leva as pessoas para longe e a gente já não espera nada. Espera-se a morte, menina, espera-se a morte!

A meio caminho, quando as madrugadas acordam e chega a lucidez, intervalada pela cedência ponderada ou pelo ímpeto do desejo amadurecido, constroem-se as chegadas, calmamente. Compensação, às vezes; permuta consentida, diz depois a razão. Mas só depois.

Estou cansada, sim: aqui no ombro a dor ferra que nem cachorro bravo e formigam-me as mãos. O que me custa mais é não ter forças, senão começava tudo de novo... sei lá se fazia igual! A vida não escolhe a gente nem a gente a escolhe a ela e estes trapos pretos, já não sei bem por quem os visto... são muitos anos...

Tarde demais, diz a espuma nos fios dos cabelos encurtando o tempo e rindo-se do desejo. Compaixão e frio na placidez dos gestos, apesar do carvão aceso em dia de feira.

Thursday, January 18, 2007

a dor


(para a Vanessa e para a Catarina, que choram a morte do Bruno; e eu com elas...)

Ferra os ossos como um cão raivoso esta dor que se enterra no peito, nos olhos, na carne toda e arrepia a pele de cinzento e névoa. Névoa nos olhos e revolta nos dentes cerrados. Cinzento o dia, também; cinzenta a terra, gelada, pesada; cinzento o bater da pá contra a terra, a tapar a tapar…
Ferra os ossos como gume esta dor rubra, faca espetada no entendimento e a mãe sem sentidos de tanto a sentir na alma e nós ali sem forças nas pernas nem gestos nas mãos para dizer adeus; o mundo parado e lágrimas, lágrimas…
Ferra os ossos esta dor que apaga, uma a uma, todas as letras da palavra aceitar porque ontem ele tinha um sorriso nos olhos e agora fica ali sozinho, o dia a gelar a noite e a terra a cair cinzenta sobre os seus olhos fechados. E nós sem sabermos o caminho de regresso à vida.

Sunday, November 19, 2006

Abraços



Do mar à montanha vai a distância medida em diagonais concêntricas. E o acaso.
A possibilidade não acontece apenas nas palavras inventadas. Tu sabes. Também o enlaçar que fica dos primeiros tempos aprisiona. Ou prende. Ou liga.
É uma linha traçada na geografia, do extremo oeste ao extremo este, mas vista do sul para o norte. Uma história em que eu também entro, ainda que à distância, envolvida nas diagonais das coincidências. Mas isto sou eu que digo, fechada na pequenez do meu espaço. Lembro, contudo, dias de verão em que nos juntávamos a ver o mar. Lembro a pedra da galé e as ondas batidas na extensão da areia até às rochas. Abelhas, búzios, peixe fresco e festa. E drama.
Depois passaram os dias e com eles os anos, sem que a gente se apercebesse dos limites do tempo. Os outros envelheceram, dizemos nós que vamos limpando todas as manhãs as folhas secas que o vento deixa espalhadas pelo pátio. É Outono apenas; mais nada de importante se passa para além dos ciclos que no espaço descrevem as diagonais. Digo eu, de novo fechada nesta pequenez.
O teu espaço é agora mais vasto e a erosão dos elementos não perdoa a calma com que disfarças os gestos cansados. Temos rugas, todos; vêm ao de cima fragilidades que provavelmente partem dos ossos gastos nas caminhadas mas chegam também à pele pregueada a mirrar de teimosia. Perto de ti há quem precise de um agasalho quando a geada cai e tu sabes trazê-lo no momento certo. Não é que esteja frio; se estivesse seria mais duro lembrar que Dezembro não tarda. Assim, só o entardecer precoce do dia lembra o passado.
Não muda em mim esta tendência antiga de colocar as manchas negras sobre as cores; mas tu disseste que já não recordavas o que se passou ontem. Que fique para trás o passado e os monstros que o povoam, foi assim que eu ouvi. Soube bem abraçar-te.

De tudo o que fica é bom saber que o laço aperta ainda e que os sentidos se agitam quando a gente aperta no colo os bracitos tenros ou quando se festeja a amizade num soprar de velas.

Thursday, November 09, 2006

Arco-íris em paleta de cores

Ao meu filho

Não posso falar aqui de amores sem trazer à conversa o arco-íris na paleta de uns olhos que nasceram atentos aos movimentos imperceptíveis dos planetas. Uns olhos que copiam da linha calma do mar o equilíbrio, e o transportam para a mão certeira que faz sair depois, da ponta de um lápis, a sensibilidade em exigência dura.
Olhos que nascem no coração e se mostram em sorrisos tranquilos. Meus, só no momento do primeiro toque e logo depois em conquista de um lugar no espaço. Luta dolorosa em certos dias já passados e ultrapassados. Esperança minha, barro tirado de mim para ter forma própria.
Ligação apertada, a da palavra com a imagem. Entre mim e ele um laço escrito, estreito, desenhado a pastel sobre seda fresca. Ligação de cumplicidades assente em leito firme.

Ligações de amor incondicional, estas que me prendem a uma Lua e a um Sol em volta dos quais giram os meus olhos. A tentar pôr distância na proximidade, não vá o fio apertar em excesso o jeito de voar que as minhas asas lhes ensinaram.

Wednesday, November 08, 2006

Selene

à minha filha

Era o travo do meu pão a saber-te a pouco e tu a amassares com raiva uma massa tenra já crestada. Ou nem por isso mas simplesmente porque esmurram a farinha e saltam e se soltam, as crias, quando chega o dia.
Era um gosto gasto, insisto. E a ira colada às tuas asas com sonhos de Ícaro.
Era o casario da beira-mar a chamar-te para o centro e tu em desejo de sair do labirinto na vertical, por sobre as águas do rio e sem pontes.
Era o atrito das coisas próximas a faiscar e eu a subir em vão os degraus para te travar na torrente bruta das palavras. Sem te alcançar. Sem nos vermos frente a frente por ser nas costas que eu carregava o fardo cujo peso dobrei em culpas.
Era a tesoura a cortar o fio das mãos esticadas que se tocavam ainda ao de leve mas a medo.
Era a solidez no desafio dos olhos, heranças minhas; pão de mistura com travo a passado firme, pronto a enfrentar o dia novo, na vertical, mas repousando aos poucos na ponte que tecemos de uma margem até à outra.

Tuesday, October 24, 2006

Malha o ferro

ao meu avô que era ferreiro

É uma ponta incandescente que tem de ser trabalhada até ter forma, um trabalho que deforma a forma das tuas mãos, que faz de ti o obreiro da matéria, da miséria, da pobreza que transportas quando te dizem que um dia vão pagar-te a forma inteira com que desbravam a terra, as enxadas, as enchós, as forquilhas, as tenazes, tudo moldado a preceito, ao teu jeito, um jeito que não sabias mas que te fez crescer gente, na bigorna em que tu malhas e dás forma ao ferro quente, saído do forno raso, uma ponta incandescente que o fole soprou por dentro até a deixar capaz de ser moldada a preceito, ao jeito das tuas mãos que lhe vão malhando a forma, enriquecendo-te os modos com que dás jeito às enxadas, às enxós, às forquilhas, à tenaz que são os dedos, à força com que tu gemes cadenciando a batida, triste vida que te obriga a malhar até ser noite, pintado a negro o teu rosto, enfarruscado, engelhado, moldado a fogo o teu corpo, já curvado do cansaço, já sarnoso no cotim da camisa acastanhada, cor do ferro ferrugento que tu moldas a preceito, na solidez da bigorna onde o malho bate forte, na má sorte, na má vida, esquecida no copo exausto com que terminas o dia, no balcão de uma taberna onde te servem fiado, onde escondes a desgraça de ter nascido entre o ferro e o cansaço de o malhar e a vertigem da fraqueza disfarçada pela força que a fibra rija do corpo, moldado a fogo e a fole, transformou na forma exacta de um homem de mãos compridas, dedos longos com que agarras a tenaz, o malho, o ferro, a bigorna, o fole, o carvão, a enxada, acabada, encabada, procurando a forma inteira para entrar pela terra dentro, arrancando à pedraria um destino ferrugento, marcado a ferro e a fogo, onde o malho malhou forte, forjado à força da fibra que deixaste como herança à gente a quem deste forma.



Sunday, September 10, 2006

momentos...



Às vezes são estes momentos, breves, muito breves, que nos fazem ter a certeza de que todo o declinar tem o seu reverso, no dia seguinte.

Thursday, May 04, 2006

O amor é uma tarefa árdua e indecifrável que vagueia ao sabor dos dias

O texto que a seguir transcrevo foi-me deixado aqui, a propósito do que escrevi sobre a deficiência. Mas a autora apagou-o.
Eu gostei dele e pedi-lhe autorização para o editar porque vale a pena.
A Fatyly também sabe do que falo.

E é exactamente à minha amiga damelum que lanço o desafio de continuar a divulgação de instituições de solidaridade, que o Rui me passou .

E depois...
...é que terá de escrever.






Lembro-me das perguntas repetitivas e controladoras, das regras impostas e nunca discutidas, dos gritos e das exigências e de como eu não compreendia. Lembro-me das fugas e dos devaneios e das culpas murmuradas entre dentes, quando achamos que somos donos da verdade, e de pensar que a vida não era justa e que todas as famílias cabiam no modelo que eu imaginara. Lembro-me da sensação dos papéis trocados, dos pedidos de conselhos, de como eram indefinidas e desajustadas as funções de cada um e sentia-me crescer demasiado para o meu tempo. Depois recordo o dia da troca definitiva de papéis, dos olhos a implorarem colo, dos pedidos desajustados de ajuda e da fuga para o outro lado do nada. E não a vi, não a encontrei mais. Nem a presença controladora e impositiva que me marcava os dias nem o discurso, por vezes desconexo, mas revelador de um amor imenso. Nada estava lá, fugira para uma outra margem, muito fora do meu alcance.

Chama-se L. e é a minha mãe. Hoje está de volta, provando-me que o amor é uma tarefa árdua e indecifrável que vagueia ao sabor dos dias.


texto de damelum.

Tuesday, May 02, 2006

Como lidar com isto?

Clicar na imagem

Arrastava o corpo pelas paredes e uivava em dias de contrariedade. Mas isso era quando era jovem. Contam que em tempos de infância dominava os irmãos mais pequenos caindo sobre eles com os dentes.
Do que me lembro é das brincadeiras e de uma memória fabulosa, apenas entendida por quem convivia de perto com ela, porque os grunhidos eram difíceis de ouvir. E ria, estridente, de boca escancarada, deixando à mostra as gengivas descarnadas.
Pedia água, sempre e sempre, como se o corpo fosse uma esponja seca; depois a água escorria do púcaro de alumínio pelos cantos da boca e ela pedia mais, não fosse o mundo acabar sem estar saciada.
Tinha um caixote com bonecas sujas, e beijava-as, ao mesmo tempo que entoava um embalar medonho. Eu era menina mas não podia chegar-me perto. O espaço era sagrado.
Por pouco ficava-me de herança, porque a longevidade cumpriu ali uma promessa desumana. Chamava-se Isilda e era minha tia.

Não creio que lhe tenha faltado amor, mas se fosse hoje poderia ter desenvolvido algumas das suas frágeis capacidades numa CERCI.
E foi assim que respondi ao desafio do Rui, mencionando uma instituição de solidariedade cuja acção me toca particularmente.


Friday, March 31, 2006

Corrosão do Tempo

Amei-te com paixão de menina; e depois com a calma de quem sabia todos os segredos.
Era de partilhas o primeiro sonho e por isso emergiam flores do nosso chão conjunto.
Foi contigo que desenhei as paredes e o forro de um abrigo à sombra, com varandas suspensas na solidez de duas ou três traves.
E assim ficámos, vendo passar as manhãs sobre as noites alongadas; talvez com frio ou com metáforas a gastarem-se nos gestos. Ou nos abraços.
Pousávamos carinhos sobre o corpo, cada vez mais à beira do silêncio ou do gelo que sobrava de cada noite.
Não sei se foi o vento ou a maldade que desenhou um barco sobre as águas a caminho da margem mais atenta.

No cais havia um palco e muitas mãos exibindo o fulgor de outros segredos plantados nos degraus. E tu seguiste.
Subitamente quebrou-se o meu perfil e as águas agitaram-se.

Friday, November 11, 2005

Minha... e depois longe

Trazia-te dentro de mim com a novidade da primeira vez e o furor da intenção cumprida. Era o projecto a ganhar a sua velocidade e o desejo da realização a trepar uma das encostas. Projecto de amor. Sublime como todos os projectos que brotam do centro do nosso dentro.
Trazia-te dentro de mim e era muito jovem. Tão jovem que hoje pronuncio ainda desajeitadamente os dizeres do amor que não sei se fui capaz de te colar à pele.
Trazia-te transportada, menina minha, corpo dentro do meu corpo, ave ainda aninhada e eu sem asas, rasando a entrega e cumprindo-a sem condições.
Trazia-te para te deixar, depois, largada em voo mas com fios tecidos de atenção nos olhos, para lhe proteger das penas.
Trazia-te para te dar ao mundo, sem penas de penar, sem pesos, sem precipícios. Só queria olhar, atenta e sorrir ao teu voo feliz.
Trazia-te sem poder saber que um dia as nossas crias saem de nós para muito longe. Longe na distância que vai do coração às palavras. Crescer dói muito.