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Monday, October 27, 2008

Claro/Escuro

Foto de Elipse



Leio no céu o apelo, quase sempre
Indiferente às vozes de quem passa
Basta-me, agora, saber por onde vou.
Entre o preconceito e a asas
Resolvo a dimensão dos dramas
Dando passos certeiros
Ante a perplexidade dos que não ousam.
Dói-me apenas a pequenez dos dias
E a obrigação de colher frutos verdes.








Tuesday, May 27, 2008

Horizonte

- E nos teus sonhos, como está o mar?
- Agora está sereno. Vejo-lhe, na transparência, os novelos das águas; e soltam-se as bolhas de ar à superfície. Apetece-me explorá-lo até perder o pé.
- E não tens medo?
- Claro que tenho. Mas ficar em terra é mau. Ali naquele lugar onde rebentam as ondas até a espuma se desfaz na areia.

Sunday, May 04, 2008

Fios de seda colorida para bordar em linhos novos



Declinou o dia e com ele os retalhos emendados na neblina destes pensamentos velhos; não gosto do anoitecer precoce quando a hora se faz tardia nem deste gosto embaciado do serão inútil. O gato roça-se e aninha; e eu sem serenar remexo nas palavras e vou organizando os papéis eternamente dobrados sob a tentativa da harmonia.

Podia começar assim o romance se me atraísse a prateleira visível do nome exposto. Mas o que me atrai é a vida.
Foi excessivo o tempo de repouso nas sombras; descubro-me agora na azáfama de outro querer e movo-me, activa, preparando o espaço.

Uma frase forçou a tarde; ou era a imagem de um limoeiro velho, drama de querer um começo e não dar com o caminho. Não me agradam as trivialidades mas também não me apetecem palavras semeadas sem métrica ou melodia.
Terei de as bordar em linhos novos com fio de seda colorido.

Monday, August 08, 2005

Serenidade

É absolutamente impressionante chegar a um estado de serenidade tão bom que apetece dizer: “ afinal era tão fácil, tão simples e tão possível estar feliz?”
É ainda mais impressionante chegar à conclusão de que foi num dia X que se ultrapassou uma linhazita que estava ali a ser um escolho no caminho, eliminando-se, sem esforço, com um passo apenas, a raiz de todos os constrangimentos.

Angústias, medos, tristezas, cóleras, inseguranças, dilemas, obsessões, hesitações, traições, humilhações… culpas, culpas, culpas…
Para quê?
…O maior desafio que a vida tem, afinal, é simplificar coisas que aparentemente são complicadas!
… E o maior segredo é ainda mais surpreendentemente acessível – o exercício do humor (sobretudo o supremo humor, que consiste em rirmo-nos de nós próprios).
Isto são pequenas reflexões, nada de grandioso, nada de espectacular, nada de maravilhosamente caído do céu. Pequenas reflexões que tenho feito, às vezes sem me dar conta, quer seja a meio do quilómetro 23 da auto-estrada, quer seja sentada à mesa a engolir a sopa do jantar ou a limar uma unha que arranha... para que não se pense que estou inundada de pensamentos literários.

Dantes, quando me falavam em sentido de humor, respondia sempre que não o tinha, que não me coubera nenhum pedacinho na distribuição feita à nascença. Efectivamente também eu reprimia o riso, como a religião faz aos crentes, disparando, de todas as direcções, culpas que se cravam violentamente na alma.
Vítima do espartilho ético, recusando-me a ultrapassar, com um ou outro passo mais largo, o risco circular traçado no chão à minha volta, carreguei fardos arruinando literalmente o suporte do corpo físico (as vértebras); arrastei culpas, expondo-me como que em exercício inútil de catarse; travei lutas de mim para comigo, desfazendo os restos de alguma desejada e desejável racionalidade.

Para quê, se o maior desafio que a vida tem é a simplificação!

“O simples facto de rir ajuda uma pessoa a relaxar. Quando alguém ri abertamente, este acto leva a uma descontracção generalizada dos músculos da face, pescoço, tórax, abdómen e diafragma, ao mesmo tempo que estimula o sistema cárdio-vascular e os pulmões”

Tudo tão simples, afinal:

- para as inibições sociais: descontrair os músculos e sorrir;
- para os desafios difíceis: arregaçar as mangas e sorrir;
- para as tentações de transgressão: dizer que sim a sorrir;
- para a tendência perfeccionista: dizer que não a sorrir;
- para as ansiedades: sorrir para refrear o ritmo e descontrair;
- para as reflexões angustiadas sobre aquele comportamento do
passado: sorrir, para aliviar o peso da lembrança;
- para aquilo que os outros dizem com ar censor: … apenas sorrir!