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Monday, February 12, 2007

Valeu a pena

Claro que valeu a pena ter manifestado a minha posição e ter-me batido por ela.
Embora o país não seja um mas dois (vejam aqui), vá-se lá saber porquê (um dia destes escrevo sobre as explicações histórico-geográficas das diferenças), alguma coisa de positivo saíu deste folclore que foi o “antes”. Veremos agora como será o depois.

Apraz-me deixar apenas o registo desta afirmação que parece andar a par com aquilo que aqui tenho escrito. Ou eu a par com ela, porque seguramente sou menos importante que a senhora que a pronunciou. Mas somos ambas mulheres.

«A decisão de abortar é profundamente pessoal e privada e o Estado não deve impor uma moral»,disse a presidente das Mulheres Socialistas Europeias, Zita Gurmai, aqui.


E agora mudemos de assunto…

Tuesday, February 06, 2007

Claro que SIM...

... porque não sou marionette...

... não suporto que partidos políticos gastem o meu tempo e a minha paiência na defesa de uma posição que vem de dentro da minha consciência de cidadã e de mulher. E isto refere-se aos SINS e aos NÃOS, obviamente, que em campanha todos se valem dos seus argumentos e quando não os têm pedem-nos emprestados a outras organizações ou pseudo-não-sei-quê... que apetece embrulhar em papel de jornal e mandar para o lixo.

Há muito dinheiro envolvido numa coisa que mais se assemelha a um fait-divers, enquanto outras coisas vão sendo feitas e lançadas em letra de lei, sem que ninguém se apoquente muito.

Ah pois é... a próxima década vai ser de muito desemprego, de muita depressão (não, não é económica, que há por aí muita gente servida de sertralina, fluoxetina e outras "inas" nos bolsos), de muitas famílias desentendidas (casa em que não há pão... ), de muitas limitações às nossas liberdades (talvez não se pense muito nisso... logo se vê... e a ver vamos...)
Nem me apetecia voltar a mencionar o assunto aqui neste espaço. Mas há circunstâncias em que não percebo as pessoas...
... bem sei que tenho de aceitar e respeitar, mas ao menos que me apresentassem argumentos significativos. Como este ou este. Vale a pena ler estas "histórias" e reflectir.

Sou mulher e já vivi o suficiente para saber que há argumentos que não convencem ninguém. E antes de ser mulher sou um ser humano pensante e sou também muito ciosa da minha liberdade individual.

EU VOTO SIM ao direito de decidir sem ser punida por isso.

Friday, January 26, 2007

mulheres vs mulheres

Maria Amália Vaz de Carvalho, conhecida como educadora e autora de uma vasta obra onde aborda problemas da educação das crianças, constitui um exemplo da intelectualidade feminina do final do século XIX, princípio do século XX.
Quis, no entanto, cuidar também da educação das mulheres, a quem não reconhecia a legitimidade do direito ao voto. A mulher, dizia, deveria estar bem preparada intelectualmente a fim de se encontrar mais próxima do marido. Dizia-se, na época, que estas eram ideias feministas.
Atacava o divórcio “essa solução violenta ao problema do casamento – solução antipática às raças latinas”, defendendo a ideia de que a mulher se deve manter no estrito espaço do lar e de que a vida mundana é incompatível com o culto doméstico. Era uma católica fervorosa para quem o ensino tinha de ter também a vertente religiosa.

(informação colhida em Cecília Barreira, História das Nossas Avós)


Também conheço algumas assim, nos dias de hoje.
Defensoras da autonomia da mulher, praticantes de uma vida de luta férrea pela sobrevivência, instruídas, esclarecidas e ... obrigadas a fazer um aborto (ou um desmancho?) em alturas em que a vida não permitiu outra solução. Poucas terão sido as que nunca tiveram de passar pela dor.
Contudo, usando o argumento da defesa do direito à vida, vão votar não ao direito que uma mulher tem de interromper a gravidez até às 10 semanas nos casos expressos e conhecidos por todos os que quiserem informar-se devidamente sobre o que está em causa no referendo.
Eu, que também defendo o direito à vida, voto sim, a lembrar aquela a quem acompanhei à "abortadeira" e depois ao hospital, onde teve de submeter-se a uma cirurgia para lhe serem removidos os restos do embrião que ficaram a provocar uma hemorragia que quase lhe ceifou a vida. A mesma mulher que hoje, passados muitos anos, se ligou à igreja, onde passa os dias e as noites em tarefas de caridade (não lhe posso levar a mal por isso, cada um é livre de agir em conformidade com aquilo em que acredita) e defende o não com os dentes cerrados de raiva e uma expressão de quem era capaz de queimar na fogueira todas as votantes do sim.

Complicada, a mente feminina!


Friday, December 29, 2006

... e a propósito de outras autoridades...

"Não espere a mulher portuguesa que sejam os homens que a empurrem para o futuro e para a independência pelo trabalho, porque isso será a confissão tácita da sua incapacidade e preguiça.
(…) quando a mulher, que procure numa profissão honrosa o seu sustento e a sua independência, não for uma excepção mas uma legião, facilmente poderá aguentar o embate dum passado que se desmorona, vendo brilhar um futuro que mal se esboça ainda num sorriso longínquo.”

a propósito da restauração da autoridade...



A harmonia entre a mulher e o marido depende (…) quasi completamente da mulher, é a encruzilhada de onde irradiam as estradas importantíssimas da educação racional dos filhos, da boa direcção da casa, da economia do casal e do bom senso na solução de todos os problemas domésticos.
(…) a obrigação da mulher é ceder ao marido (…) não se apaixonará pelas suas ideias, mas tentará compreender com a melhor boa vontade o raciocínio do marido e segui-lo, conservando sempre toda a serenidade.
(…) o homem, que chega de fora cansado, triste, desalentado, encontrando em sua casa a placidez, a tranquilidade que a mulher cria em volta de si, (…) não pode deixar de sentir um fundo reconhecimento (…)”.

A Moda Illustrada, Ano XXXI, nº 1062, 14 de Junho de 1909, p. 6