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Sunday, August 17, 2008

Contemplação



Ela tinha pena que do poço não jorrassem as palavras todas mas agora não podia, o momento era demasiado belo e a força das palavras fechá-lo-ia ao encanto da contemplação.
Foi em silêncio que lhe sentiu a pele fresca e, de olhos fechados, sorveu devagarinho o cheiro a menta.
As estrelas agitaram-se ao som da voz que entoou as sílabas onduladas da canção.
Depois nasceu o dia.

Thursday, August 14, 2008

Cheiros e cores


Sinto-me transportada para outro mundo na memória dos cheiros.
Os mercados abertos, as vozes, os sorrisos das pessoas... e a diferença ...
A atracção para os que vêm de fora e querem reter as lembranças.
Recomendaram-nos que não comprássemos. Os mercados não primam pela higiene.
Contudo o que fica é ainda ... encanto.

Tuesday, August 12, 2008

Roteiro de uma viagem por outros mundos



Chega-se a um outro mundo.

Tem-se a consciência de estar verdadeiramente noutro continente, embora a pobreza não nos seja estranha e muito menos a ostentação dos privilegiados. Tem de tudo a Tunísia. Mas chega-se a um mundo diferente onde o calor é uma onda que nos bafeja e nos envolve: umas vezes deixa-nos o corpo sem acção; outras vezes atiça.
Tunis é um caos mas na avenida Bourguiba anda-se à vontade na azáfama do dia; melhor ainda na luminosidade da noite.
Cartago prende pelo azul do mar: um azul que nunca tinha visto, mesmo conhecendo já o Mediterrâneo. Encanto à chegada. Local de cruzamento de civilizações, com marcas de vários passados.
Sidi Bou Said é uma encosta cheia de azul nas janelas e nas portas. E de novo o mar e o cheiro a encanto. Chá de menta para refrescar, numa esplanada. E o assédio dos vendedores, o regateio até à exaustão. Os dinares tilintam no meio das pulseiras e dos brincos. Vem ver, vem ver!
As águas são transparentes em Hammamet e daqui para a frente toda a costa está pejada de turistas, de Sousse a Monastir. Divertem-se os europeus nas águas quentes e na movimentação estival.

Prosseguimos e entramos de novo no passado, em El Djem, onde um coliseu quase intacto nos confronta com mais algumas marcas da presença romana.
Ilha das sereias – Djerba – onde dois mundos convivem: o mundo árabe e o mundo judeu, a sinagoga e a mesquita. E a sedução da joalharia. E a paisagem.
Depois Gabes, a linha costeira, as indústrias, raras neste país de contrastes. E estamos a entrar na paisagem lunar de Matmata, povoação berbere com habitações trogloditas, escavadas na montanha, buracos frescos na secura árida da envolvência. E depois Kebili, a porta do deserto, a caminho de Tozeur, a região dos palmeirais. Deliciosa a frescura dos oásis, nas três alturas dos seus cultivos, das ervas de cheiro às palmeiras imponentes. Pelo meio os figos, as romãs…
Tozeur… onde deixei o coração.
De regresso à capital ainda se visitam as ruínas de Sbeltla onde se fotografam os capitéis, quase intactos, que envolvem o teatro romano; e depois Kairouan, a quarta cidade santa do Islão.
Cheira a especiarias e a couros e a perfumes no regresso à Medina de Tunis. Tudo brilha. O colorido enche os olhos. Regateiam-se os preços naquele ritual próprio e os vendedores insinuam-se com as mulheres ocidentais. É um jogo de sedução que se alimenta. Negócio à vista.
Trouxe uma mala de encantos. Meia dúzia de bugigangas e um torvelinho de emoções.
Tenho de voltar.