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Wednesday, December 05, 2007

Discriminação e Tolerância

M'sida Campus, em Malta

Serão sempre as estruturas de poder que geram a discriminação ou essa é uma coisa inata no ser humano, cuja tendência é dividir, separar e classificar?
Será que a tolerância desaparecia se o poder fosse mais justamente distribuído? Ou esse é um sentir tão profundamente integrado na natureza humana que logo assumiria outras formas?
Há sempre uma diferença entre as pessoas, uma diferença da qual ninguém pode demarcar-se: o que é bom para mim não é necessariamente bom para o outro. É aí que reside e diferença e é por isso que se discrimina ou se tolera.
Talvez se possa dizer que ao longo a História a tolerância existiu sempre que o controlo por parte do poder não era possível; desse ponto de vista tolerar é assumir o domínio e consequente minimização do outro. Será, pois, a tolerância uma recusa?
Contudo, em questões de natureza religiosa não se pode falar em tolerância uma vez que estão em causa práticas ligadas a valores. Ganha a exclusividade e por isso prevaleceu a lógica da conversão. Ou a sua imposição.
Tolerância absoluta seria um problema para os Estados. Tolerar tudo seria prescindir das regras e das normas que nos regulam os comportamentos. Ou não?
E nós, o que é que toleramos quando somos tolerantes?

Não era preciso ter sido em Malta, mas calhou ser lá o lugar da reflexão. Gente da História e de outras áreas das ciências humanas juntaram-se para cumprir mais um encontro em honra da deusa Clio.

Wednesday, November 28, 2007

Sirvam-se

Não vou estar por cá, mas a quem passar por aqui no dia 1 de Dezembro, ofereço uma fatia de bolo.
Andarei à volta da Discriminação e Tolerância, em Malta. Farei depois o relato das impressões.
Conto ficar, depois do regresso, com mais tempo livre para cuidar dos textos.

Monday, October 08, 2007

Eslovénia





É de facto um país pequeno e pouco populoso – um pouco mais de 2 milhões de habitantes, estando cerca de 1 milhão e meio na República da Eslovénia e os restantes dispersos como minorias nas regiões fronteiriças com a Itália (Friuli-Venetia Giulia e Trieste), com a Áustria (Carinthia), Hungria (Porojabe) e Croácia.
Resultado de um longo processo histórico cujas últimas mudanças ocorreram em 1991 – quando se tornou um Estado independente – e em 2004, quando se torna parte da União Europeia, a Eslovénia é uma surpresa para quem, como nós, se habituou a ter apenas uma fronteira a leste. Aqui o resto é mar e é no mar que está parte da nossa História. Lá, há toda uma riqueza de influências que são o resultado de movimentos sucessivos de povos e do cruzamento de ideias e culturas diferentes.
Foi tardio, ali, o despertar da consciência nacional. O peso do Império Áustro-Húngaro foi longo e só depois da Primeira Guerra Mundial surge um esboço de projecto político.O papel das minorias? Grande, porque foi das comunidades que viviam no exterior deste espaço que veio a força organizativa que visava impedir o extermínio da etnia eslovena pela Jugoslávia federal. Ocupação militar e depois tentativa de neutralização da língua foram as estratégias tentadas mas a resistência surtiu efeito e hoje não é só no solo pátrio que os eslovenos o são: são-no também nas regiões fronteiriças onde, apesar de minoritários, a língua, os costumes e o direito de se ser esloveno está consignado na lei.
E depois é surpreendente como uma cidade pequeníssima (Maribor) tem uma Universidade tão grande e tão organizada e tão cheia de departamentos de tudo e mais alguma coisa. Para não falar no teatro e na ópera e nessas coisas que não estamos habituados a ver funcionar entre nós.
Cansada da distância, mas mais rica depois de ter lá estado.
E sim, correu tudo muito bem!



Monday, September 24, 2007

Sem tempo para nada





Durante uns dias não consigo fazer mais nada.

Por agora circulo entre luzes e sombras... enquanto me preparo para ouvir falar sobre Discriminação e Tolerância, no âmbito da temática das Minorias.

Também vou falar mas não é sobre blogues, nem sequer sobre poesia. É acerca das minorias em Portugal no século XVI, particularmente Judeus e Mouros.


Depois de regressar dir-vos-ei como foi.

Monday, December 18, 2006

Lá onde nunca estiveste é que está a sorte...



“Dort wo Du nicht bist, dort ist das Glück.” (Goethe)

Atravessar as fronteiras é coisa que os gregos já faziam e o seu estatuto não era muito diferente daquele que têm hoje os cidadãos estrangeiros: chamavam-se “metecos” todos aqueles que vinham de outra cidade-estado, sem que a mistura alguma vez fosse possível.
Os germânicos, esses levaram a tarefa mais a sério e acabaram por dar início ao processo do nascimento da Europa, depois de destruído o Império Romano.
A fixação de um povo, em massa, num determinado local, muda (quase) tudo: os Normandos formaram a França, os Ostrogodos o espaço italiano, os Visigodos andaram por aqui na mistura da qual nós resultámos, os Saxões arranjaram o seu espaço para lá do Canal da Mancha… enfim… a Europa foi-se “fazendo” e depois desfazendo e refazendo.
Há dias a polémica das fronteiras deu para o “torto”, na Bélgica, quando a parte flamenga brincou em directo com a declaração unilateral de independência da Flandres.
Ontem sobreviveram 25 dos cento e tal senegaleses que se aventuraram em direcção às Canárias, numa jangada.
As migrações são tão velhas como o primeiro homem, são parte da História, são, aliás, um elemento da História trans-nacional. As razões são várias, não sei se as conseguimos enumerar: exílio, trabalho, perseguição política ou religiosa, busca… busca daquele lugar em que não se está, aquele lugar onde mora a sorte.
Os primeiros a chegar não se questionam: nunca vêm para ficar, talvez voltem, quem sabe. Depois têm filhos e os filhos aprendem a língua, fazem amigos, integram-se na escola. São estes que se perguntam: “quem sou eu?”; “serei desta terra ou de uma outra que os meus pais têm como referência?”. São estes que se fragmentam entre dois mundos, não sabendo se a sua identidade está aqui ou lá: se está lá o que fazem aqui? E se está aqui, por que não podem ter e ser o que os outros têm e o que os outros são?

A questão que deixo é esta: como é que estes movimentos migratórios lidam com a identidade histórica de um povo?


Monday, December 11, 2006

We must go away to find ourselves and then we must return home

Reikjavick

A Europa envelhecida, a que antes descobriu e dominou outros mundos, a contar histórias de Impérios.
Curiosa esta Europa que treme diante de um boião de creme na mala de uma cidadã que apenas quer manter a pele hidratada num país frio. Um creme hidratante poderia transformar-se em nitroglicerina e fazer explodir um avião. Ou… quem sabe, dentro do soutien podia estar escondida a pólvora!
Noutros tempos as bombardas disparadas das naus matavam infiéis e talvez não tenha tido importância nenhuma que milhões de africanos tenham sido levados para lá do Atlântico.
Hoje a Europa queixa-se de um défice populacional e sabe que precisa de abrir as fronteiras aos que nada têm para além da vontade de partir. Nada de novo, afinal nessa vontade: as migrações são tão antigas como a história dos homens. Porém rejeita-os depois, a pretexto de que o trabalho falta para os naturais. E preocupa-se em mantê-los nos seus lugares: integrados no mundo do trabalho; cidadãos contribuintes para manterem o visto no passaporte; porém, coesos nos seus hábitos porque a globalização da informação não os deixa perder o contacto com os lugares de origem. Nem sei se interessa a integração ou a assimilação - não sei bem que palavra usar. Às vezes, muitas vezes, veda-se-lhes a entrada. Chega de invasores, diz a Europa.

E aí temos a multiculturalidade apregoada há décadas. Ou aí a tememos?

No intervalo lembrei-me que estava noutro mundo. O lago estava gelado. O sol nasceu às 11 horas da manhã e às 4 da tarde era já noite. A luz era, aliás, sempre frouxa e as cores eram outras. A única coisa que sugeria claridade era o branco da montanha. E o frio. O frio também é branco.

Mas a Europa… o que é a Europa?
Tão diferente o gesticular da espanhola e a posição rígida do finlandês, sentados à mesma mesa!
Como acertar conceitos: integração, aculturação, assimilação… que significado têm as palavras para o italiano ou para a islandesa?
Metodologias comuns no trabalho documental com que fazemos a História? Difícil a questão.
Falta-me saber se a Europa é uma unidade ou uma diversidade para além de tantas outras coisas que me faltam ainda saber para poder saber alguma coisa.

Sunday, December 10, 2006

Europe and the World

Háskóla Íslands - Universidade de Reikjavick

In the world there are two kinds of people: those who stay and those who leave.


O tópico seria de grande utilidade para qualquer tipo de desenvolvimento. Entrava bem na minha tendência para as generalizações (que, na maior parte das vezes, partem de mim e a mim retornam) como daria um excelente poema ou uma excelente página ensaística.
Serve, contudo, para dizer que trouxe pano para mangas da Universidade de Reikjavick e que prometo desenvolvimentos e fotografias para os próximos dias.
Por agora - e porque amanhã de manhã a minha realidade são adolescentes ainda pouco sensíveis a este tipo de abstracções - fico-me por aqui. Vou tentar assentar as poeiras. Ou antes, os efeitos dos flocos de neve que o vento arrastava em assobio, ontem, ao fim da tarde que era noite quase desde que o dia nasceu.
Depois virei falar das migrações e daquilo que eles disseram: uns mais ou menos imperialistas; outros mais ou menos conscientes de que a Europa multicultural pode não durar muito mais anos…
É que estou mesmo muito cansada e o dia ainda não acabou.

Friday, October 06, 2006

evolucionismo e/ou criatividade?

Quantas milhas terá Calatrava percorrido, desde o engenho romano ...




Ponte de Lima (ponte romana sobre o rio Lima)

Bilbao (ponte pedonal sobre o rio Nervión)

Tuesday, October 03, 2006

Bilbao



Espelhei-me em vidro robusto, inteira nas convicções, confiante no domínio das palavras. E tudo foi acontecendo, desde os passeios descontraídos que a cidade permitiu, à exibição pública do resultado de esforços entrecortados por deveres quotidianos, meses a fio.
Agosto foi de recolhimento; algumas vezes de desespero; agora é já Outono outra vez, parecendo ter-se cumprido um ciclo de destemperos. Foi por isso o tempo certo para fazer saltar para fora da curva elíptica a natureza graciosa que invento e visto em dias de voz cristalina. Tudo dobrado no recorte da água. Tudo numa sala fechada no espaço mas aberta ao mundo ali presente e às ideias que chegaram até mim como se fosse ainda e só adolescente curiosa.
Venho enriquecida desta viagem à Universidade de Deusto, onde o saber parece forrar as paredes antigas dando-lhes ainda mais imponência. E creio ter enriquecido também o conhecimento dos outros. É tempo de registar sem dramas a chegada do Outono e procurar nele as cores do sucesso.
Não tem de ser o brilho metálico e desalinhado do Guggenheim. Contudo, na irregularidade das linhas e das formas achei a coerência e a beleza que a água espelha.


Sunday, February 05, 2006

Cliohres.net - TWG6 meeting


Havia todo um conjunto de questões ligadas às historiografias de cada país. E nem aí os conceitos eram os mesmos, embora a linguagem encontrasse tópicos comuns e pontos de contacto. Foi curioso ouvir russos e húngaros ligados a concepções de raiz marxista ou, pelo menos, reportando-se a essas perspectivas de abordagem como fazendo já parte da História.
Curiosos também os estudos dos grandes movimentos populacionais que os eslovenos mostraram com mapas e números.
Mas a maioria situou as pesquisas nas tendências imperialistas que o velho continente manifestou ao longo da História, quer em períodos expansionistas, naturalmente importantes para a compreensão do presente, quer exactamente no presente, sendo aí privilegiada a visão das heranças coloniais. Para o bem e para o mal.
Os belgas pareceram apreciar o (seu) património colonial desmontando-o à luz de uma visão antropológica naturalmente construtiva. Os espanhóis deixaram a visão do eu e do outro em imagens interactivas, lembrando, com muito humor, as distorções que certa história às vezes força esteriotipando países e populações (lembrava-se a identificação do espanhol com o toureiro a partir de Gustavo Doré).
Os ingleses não abandonam, em circunstância alguma, a sua postura egocêntrica e dominadora menosprezando todos os outros períodos e espaços coloniais. E eles existiram.
Também tivemos o nosso e a minha questão reside aí: como é que o reino mais rico do mundo ocidental se via a si próprio por alturas da sua “idade de ouro”? Como se afirmava perante uma Europa que circulava por Lisboa em busca das mercadorias cujo monopólio nos foi permitido pelo desenho concretizado da Rota do Cabo? E como passou, na historiografia portuguesa, a visão do reino e do rei? Uma imagética que o século XIX exultou e que o Estado Novo dimensionou como doutrina. E que depois a mudança desvalorizou, quando falar em descolonização era falar em revolução e vice-versa. Terei de explorar esses ecos.
Questões abertas quando se procura em grupo, estudar as relações entre a Europa e o Mundo.

Depois há o confronto. Ou os confrontos. A frieza dos europeus do Norte em contraste com as conversas mais soltas dos Ibéricos que interagem com palavras que soam bem. Mesmo à mesa ou à volta da diversidade de cervejas belgas, as diferenças coexistem embora se dissipem com a climatização dos interiores. Do lado de fora o frio e a humidade escurecem as construções. Porém, não lhes retiram o brilho.
Gostei de Ghent. Mas estou cansada.

Monday, December 12, 2005

Sobre o ser português

Diz quem sabe que tudo pode ter começado com a rivalidade entre a aristocracia portucalense e a galega, sobretudo no plano religioso, com igual rivalidade entre Braga e Santiago de Compostela. Ao mesmo tempo autonomizavam-se outros espaços cristãos na Península, sem que possamos ter como assente o crescimento de uma nacionalidade face a um reino de Leão homogéneo. Diversidades regionais sempre as houve e há por todo o espaço peninsular e não é da geografia que vem a individualidade. Depois há ainda a considerar o carácter guerreiro dos primeiros reis em época de cruzada e as consequências que isso trouxe para o alargamento do território.
Enfim, de tudo isto terá nascido um país, com muito mais explicações à mistura, que a história não se escreve em meia dúzia de linhas. Quanto à vassalagem e ao espírito de independência daí nascente, o que me parece é que ela era praticada na época como instituição, logo, não há conceitos modernos que expliquem o passado, Nem há uma visão única sobre os acontecimentos, sendo que todas as explicações decorrem do olhar de quem as encontra nos documentos.

Ser português?
É complexa a explicação, porque o passar dos tempos traz ligações à terra, à língua, aos hábitos, a pormenores da maneira de estar e de se comportar; ligações que não fazem parte das nossas reflexões diárias mas que nos ocorrem por comparação, no confronto.

Pode ser essa a palavra: foi o confronto que nos deu alma (porque nos animou para a autonomia) e é do confronto com o outro que passamos a reflectir sobre o que é a alma portuguesa.
Sem que o fado ou o futebol nos expliquem ou nos justifiquem. E muito menos a saudade, que é coisa que se diz única mas que tem a ver com este assumir de uma pequenez evidente, dadas as dimensões do território.

Talvez me veja a reflectir um pouco mais, noutro dia…

Tuesday, December 06, 2005

Reflexões em Pisa

Falava-se de cidadania e a Aula Magna estava cheia. Toda a Europa estava representada e a participante espanhola cansou a assistência com um inglês medonho; depois a grega, com referências à politeia e à fratria. Foi às origens e colheu aplausos. Mas o inglês era sibilado (risos). Depois a flamenga a referir a necessidade de se repensar o conceito dada a mistura étnica a que o continente europeu vai assistindo. Ao húngaro perdi-lhe o fio, porque falou de emigrantes húngaros nos EUA mas tocou em Kant ou manifestou essa intenção. Abandonei o esforço.
Das ligações religiosas à secularização do conceito; dos medievalistas aos contemporâneos, todos envolvidos num gosto comum – escrever a História.
Ficou-me a questão que o francês usou para pôr o grupo a reflectir – o que é um francês? – e pensei que ter de provar a minha cidadania não seria assim um acto tão linear. Porque nasci em Portugal? (dantes, os filhos dos residentes coloniais ou emigrantes vinham cá nascer).
Porque falo português? (também um imigrante moldavo fala).
Porque tenho nacionalidade? (qualquer estrangeiro a pode adquirir).
E vocês, são portugueses porque…..