simétricas, vivas, renovadas
e sentam-se alinhadas, à beira do poema
pingos de tinta em tina de água limpa.
Jurei que lavaria as mãos e me sentaria
no degrau da espera sem ouvir o tempo
mas desejei sucumbir à emoção.
"(...) não é ofício do poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer; quer dizer: o que é possível segundo a verosimilhança e a necessidade" (Aristóteles,Poética)
Pus-me em segredo no teu colo e tricotei um rosto
e assim sonhei ternura
e bordei trevos às escondidas.


Depois passaram dias, muitos dias, disse eu como só os velhos dizem quando contam histórias que os outonos agigantam; e dos dias passados ficaram memórias aplacadas pelos ventos de todos os quadrantes, sementes perdidas nas dunas a aguardar as gotas de água.
Disse então que sim, que tinha o direito à ousadia.
(Picasso)
Primeiro vão querer ver-te inteira. E saber como a tua forma te enforma.
Depois dirão que podes ser mais do que uma. Di-lo-ão sem que ouças. Mas é pior porque começas a temer que a exigência te ultrapasse.
Muito cedo serás tu a exigir. Dirás para ti, também sem que te ouças:
Multiplica-te, diversifica-te, geometriza os teus papéis e decalca-te neles pintando com cores discretas as margens de cada um.
Divide-te, desintegra-te, distribui abraços, dá os braços, reparte as mãos por quem te solicita, agita e parte o tempo.
Esconde-te, resguarda-te, espreita, aproveita o recato e observa. Não te mostres sem que te desejem.
...
Dir-te-ão sempre que foi insuficiente.
Em todas as circunstâncias colocarás a fasquia acima da tua cabeça.
Dirás sempre que foi insuficiente.
