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Saturday, July 15, 2006

Esta noite venceu o aroma esverdeado


Hoje mudei o ângulo de observação, sentei-me do outro lado e encarei a fachada sob o efeito do aroma das flores que abrem à noite.

Isto promete, foi o que pensei, enquanto me desprendia das camadas de pó que me obscureciam o vestido.

Só então me apercebi que estava vestida de verde.

Friday, December 30, 2005

Quase



Veste a brisa, veste a alma; veste-te de brisa; veste a mágoa de flores e aguarda os frutos. Aceita.
Abre as gavetas, abre os desejos; abre os sentidos. Desdobra as folhas secas e dá-lhes terra fresca. Rejeita a ira.
Tropeça na chuva, tropeça no pranto; levanta-te e ilumina esse espanto em que a luz tropeça quando te foca; e se te espantas é bom ainda.

Mudaste as roupas, mudaste o tom, mudaste o rumo; muda o sentido. Muda o sentir.

As estações sucedem-se e sucede que é bom ainda; veste o desejo; veste-te de alma.
E acalma.

Friday, October 21, 2005

Tentando entendimentos


Também te digo que há dias em que o tempo causa desconforto. Dias côncavos. Dias de trechos velhos cujo eco parece traçado em telas tempestuosas. Troncos torcidos de nudez rente ao outono e folhas secas sobre a terra entufando a lama. E telhas revestidas de verde sujo, fechos monótonos a cruzar as tentativas de entendimento.
Também te mostro a trama que se diz ter sido tácita; todas as teorias poderão testemunhar a tentação das culpas, porém nada faz sentido, apenas a paisagem como um tentáculo a matar a temperança e depois a tentativa sacramental da pacificação. Tudo turvo.
Acredita que de nada valem os lutos. Estava traçado o fim dos tempos em tatuagens celestes – era o que eu diria se não fosse o tédio. Porém nada transcrevo
porque nada estava determinado. Mas também não me satisfazem as entrelinhas.

Tuesday, October 18, 2005

Pedras desfeitas


Então dizias-me que havia uma pedra pousada no rio, uma pedra-ponte que se podia pisar para alcançar a outra margem. E que eras a pedra, pé firme sobre a solidez emprestada à partilha. Pé frágil o meu, pedindo apoio. Mãos postas sob os céus polidos de tantas preces.
Disseste que era para sempre. Podia ter sido para sempre essa ponte pousada no rio para chegar à placidez das águas. E o sempre fez-se tempo escrito no encanto das primeiras páginas de uma história de princesas. E depois passou sem se tornar eterno.
Para sempre ficaram as memórias num lugar de permanência que pintámos a duas mãos, sobrando agora apenas o olhar sobre o passado, pouco mais do que um passo em falso sobre uma pedra que as águas tornaram pó.