Demoro-me nas linhas das palavras, secas as letras, lento o rastejo.
Demoram-se-me os gestos, mais do que seria de esperar, na dimensão dos verdes e nos espectros que os enleiam. Ignoro os nomes das coisas e o texto enrola-se. Presença inútil a da música.
Petrificam-se as emoções; e a espuma dos sonhos, macilenta, térrea, despida de substância, é pedra igual.
Os ângulos dos dedos ferem a coragem; não há paz nem na sombra, nem nos claustros.
Roça a dor na demora dos gestos; fio de meada enleada, larva em casulo seco, veludo desbotado. Pedra.
Inquieta-se a lucidez, fermenta o rasgão no espelho, perde-se a semântica dos sentidos.
8 comments:
na tua vertente mais poética lembras-me a Lídia Jorge.
csd
Tu não imaginas, Cláudia, como isso é para mim um elogio dos maiores!
A lucidez fere-nos!
O silêncio e a inquietação são sementeiras de novas formas, novos sentires e novas palavras.
Formas de ser e estar...
O tempo vai petrificando a vida...
Bjs
amei. mais uma vez.
beijo
Os olhos cravaram-se nas palavras e não respirei. Ainda bem que o texto não é longo. Gostei muito. Muito.
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