
Nos teus olhos me vejo e me revejo ao pôr-do-sol
Sabendo ainda deles a saudade; antes do dia
Era demasiado cedo, eu sei, para te dizer que o gelo
Queimou as pontas das agulhas nos pinheiros
Folhagem despida nos troncos e eu sem mar
Pousada num vulcão aceso à beira a mim própria,
Nada pode existir antes do dia certo, dizem.
E eu de certezas nada mais sei do que um segredo
Calado em sílabas pausadas e depois embrulhado em voz pendente.
Não é que fosse cedo, era muito menos do que isso;
Sem aurora toda a madrugada se estende fria.
E no calor que tarda ou não se mostra
Quando a noite abrevia a exposição à perfeição da luz
A gente não sabe de outra imperfeição que não seja a das horas
Coladas à sombra; nas encostas onde não corre a lava;
É de rocha sedimentada a fantasia dos olhos
Quando eles não se fixam e estão apenas de passagem.
9 comments:
"e eu sem mar
Pousada num vulcão aceso à beira a mim própria"
Gostei muito deste teu poema, mas nem consigo dizer porquê. Fiquemos só pelos sentimentos e deixemos esta necessidade absurda de racionalizar.
Belíssimo! beijos
E eu de certezas nada mais sei do que um segredo
Calado em sílabas pausadas e depois embrulhado em voz pendente.
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muito bonito e comovente!
eu diria quase todos
reconheço-os um a um
um após outro
outro após um
certo...dia
beijo e beijo
"Olhos que passam por nós com gelo dentro" merecem castigo, um beijo apaixonado.
é de tanto olhares as rochas elipse?
E não é isso o que todos esperamos?!
ou quando nos olhamos, como um estranho que descobriu um abismo dentro de si, ficando desde então com os olhos escancarados para dentro...
Estou doido para ir ir á Islandia... É o Mar que me chama, misturado com os vulcões sussurantes...
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