Só para lembrar que também sei usar o registo menos nostálgico...

Costumávamos ficar deitados à beira do Outono
Como se quiséssemos guardar o fermento das palavras
Usávamos a voz na margem das penumbras
Não fossem os deuses acordar zangados
E escrevíamos páginas de silêncios
Sobre folhas engelhadas;
Cruzávamos as mãos sob o declinar do sol
Os corpos fundiam-se com a terra e cheirava a barro fresco
Se chovia molhávamos os lábios depois dos beijos
As folhas inchavam apercebendo-se do calor dos olhos
E no céu, por entre os intervalos da folhagem velha
Os deuses liam-nos as mãos, pausadamente
Determinando as palavras que me dirias
Por entre as linhas descontínuas, quebradas
Éramos presas fáceis depois do fim do verão
Sem tardes de abraço quente à sombra das falésias
Nem passeios de aves
Em silêncio ofereci-te a minha mão
E sobre ela despontaram as sílabas da palavra amor.
7 comments:
Fquei sem palavras! Que maravilha! Vou pôr na minha cubata!
e todo um rodopio de gestos que se misturavam com as folhas...
O outro(que é o mesmo) não comentei...
É bem verdade que no Outono se prepara a Primavera!
Lindo!:)
.....lindo, mesmo muito bom (mas se me é permitido sugerir) porque não fazê-lo agora na Primavera.....
Beijinho
lindo juego de sentimentos e palavras, num momento em que o hemisfero sul entra no outono...
ujinhos
:) e eu ando a ganhar coragem para lançar outra edição do Escritor Famoso. e tu dás-me vontade, aceleras o processo de mentalizaçao para ficar escrava do blogger por uns tempos :))
Post a Comment