
Quando temos palavras para dizer desagrados, apenas comunicamos. Nada se resolve. Depois pensamos que não há nada para resolver e que não há seres humanos conformados. Basta passar os olhos por este mundo de vozes sem rosto que nos habituaram às palavras; e de imagens-mensagens-anónimas, embora saibamos das mãos que as fixam e as projectam. O resultado é este mar de lamentos. Mesmo nos outros que, à séria, escrevem crónicas oportunas e interessantes sobre as coisas que se passam, encontramos o tom lamentoso. (Teríamos que analisar as excepções, que são poucas e enumeráveis, mas hei-de voltar ao assunto). Às vezes gostamos de partilhar o prazer de um livro, de um filme ou de uma brincadeira. Ou de uma ficção que os outros lêem como coisa sua, identificando-se com as nossas personagens. Não sei por que o fazemos.
Partilha? Pedido público de socorro?
Que mundo é este que nos ultrapassa e é pequeno ao mesmo tempo? Que temos para receber dos outros? E damos? E quem dá o quê? E que coisas valem a pena? E com que palavras dizemos o nosso lado de dentro de forma a limparmos a ansiedade, o medo, a tristeza, a frustração e o desânimo?
E para quê, se sabemos da existência de todos os contrários?
Devo ter fugido ao assunto, mas acho que vinha aqui hoje para falar de lamentos. E do sentido lamurioso que é o nosso, o dos portugueses. Ou o de todos os cidadãos do mundo. Talvez porque todos os dias sei de mais alguém que recorreu à psiquiatria.
16 comments:
Eu vinha aqui para me armar em Alberto Caeiro, mas depois apercibe-me que era português, tenho o fado comigo. Mas os lamentos também fazem parte da vida, e estou feliz, afinal sempre consegui (armar-me)...
Abraços e fica bem
Madrugadas luminosas ;);)
os psi's tb têm que viver! :))
mas os blogs já são (ou podem ser)uma excelente terapia!
há dias ....ASSIM.....
hoje é um deles.para mim.
vou-me. deixo apenas um beijo. por um texto escrito com talento.
.....o reconhecimento das nossas limitações, não é um sinal de fraqueza, mas sim a vontade de evoluir.....
Deixo-te um abraço e um sorriso, pode ser?
menina
tomabeijo
e deixa lá as madrugadas dormirem regaladas no edredon
precisas é de descanso, e de te apaixonares outra vez, ficas logo com outra tez
:-)
Todos querem comunicar, todos sentimos necessidade de dar e receber algo, cada qual saberá o quê... ninguém quer estar só, talvez.
Beijo.
Existimos e vivemos dualmente.É uma luta titânica entre as duas metades que nos compõem. Permite que o lado feliz vença e... sorri sempre, que ajuda muito.
"Que temos para receber dos outros? E damos?"
Tudo, na vida, é uma troca.
E o desespero talvez seja uma reacção ao facto dessa troca falhar... se calhar, demasiadas vezes...
Falo por mim, claro.
Não cheguei a recorrer à psiquiatria, mas já tive uma depressão.
Algo que não desejo a ninguém.
Algo nada agradável de sentir.
Felizmente, o tempo cura tudo.
Vale mesmo a pena viver!
Talvez seja o fado lusitano...
Talvez seja a consciência de que nem todos têm uma estrelinha...
lamentos , são de todos, todos andamos a lamentar, mesmo os que não têm lamentos, se lamentam disso..
jinhos
vamos ao psiquiatra? mais vale fazê-lo do que encher os amigos c os nossos lamentos, nessa esperança vã de q resolvam os nossos problemas p nós. p outro lado, em x de andarmos dopados da medicação, talx devêssemos começar pelo psicólogo e, só dps, se o caso for mm grave recorrer ao psiquiatra...
p outro lado, qdo ñ é em demasia, é bom lamentarmo-nos aos nossos amigos e deixar sair aquela carga... tb podíamos praticar desporto, mas... lamentamo-nos! ;-) eh!
há lamentos e lamentos!
no principio eram os lamentos pessoais, aqueles que atacam a qq hora
depois os lamentos nacionais que se chora nas horas intimas...
ou era ao contrário?
será que uns têm a ver com os outros?
será que os alemães não têm desgostos e lamentos pessoais?
ai ai ai elipse confundes-me
Lamentamo-nos porque ao fazê-lo estamos na busca do outro lugar, o lugar dos curtos instantes em que a Terra parece dançar.Vivemos num sistema oscilatório de constante busca e constante insatisfação, mas a beleza da Vida reside na tolerância do provisório,que nos leva à procura incessante,à recusa de um definitivo paralizante.É assim no Amor, é assim na Ciência...A estabilidade é um lugar em que a morte se instala.
Sabes, acho que essa nossa (portuguesa) tendência lamentosa é que nos permite, precisamente, ir menos ao psiquiatra. Vamos fazendo terapia pelos próprios meios, ouvem-nos os amigos, que não nos cobram pela consulta, embora possam esperar reciprocidade na paciência... e lá vamos andando, talvez de aparência mais deprimida que outros europeus, mas menos doentes.
estou a compilar os teus textos, não te importas pois não. Beijo!!!
Olá!
Sou escritora e nesta minha visita ao seu blog noto que você é uma pessoa romântica e gosta de literatura. Quero lhe fazer um convite, para que conheça o meu site de poesias.
www.umamulherumpoema.recantodasletras.com.br
Um grande abraço e sucesso.
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