Sim, a metáfora das margens, na areia onde ela desenhou o rio e ele a ponte; exercícios quase silenciosos, em gestos calmos, disse-me ela. E, apesar de se sentarem sobre pedras milenares, conjugaram futuros.
Vê como ficam bem entre as ruínas e como a conversa que podes criar para preencher esse espaço cabe inteira no paradoxo. Relata-a longamente porque eles permaneceram ali até que o sol se pôs e só depois se lembraram que estavam longe. Cheirava a mar e a terra seca; ou foi isso que lhe sugeriu o aroma da noite, ou o canto persistente das cigarras.
No espaço onde os colocámos, eles foram felizes. Contudo, vê se o escuro da noite não te impede de dizer que de vez em quando os olhos dela afastavam-se para longe. Tinha esse jeito de tornar subitamente pálidos os momentos mais genuínos, coisa involuntária, mas herdada, sem resolução. Antevia o fim, quando tudo ainda estava a meio. Soltava-se do reservatório o conceito absurdo sorvido das pagelas que lhe punham nas mãos, nos dias da catequese.
É para sempre, dizia ele.
Vê como ficam bem entre as ruínas e como a conversa que podes criar para preencher esse espaço cabe inteira no paradoxo. Relata-a longamente porque eles permaneceram ali até que o sol se pôs e só depois se lembraram que estavam longe. Cheirava a mar e a terra seca; ou foi isso que lhe sugeriu o aroma da noite, ou o canto persistente das cigarras.
No espaço onde os colocámos, eles foram felizes. Contudo, vê se o escuro da noite não te impede de dizer que de vez em quando os olhos dela afastavam-se para longe. Tinha esse jeito de tornar subitamente pálidos os momentos mais genuínos, coisa involuntária, mas herdada, sem resolução. Antevia o fim, quando tudo ainda estava a meio. Soltava-se do reservatório o conceito absurdo sorvido das pagelas que lhe punham nas mãos, nos dias da catequese.
É para sempre, dizia ele.
E tu que escreves, quando reproduzires as falas, não te esqueças de as dizer noutra língua. Mas põe-no a sorrir, sempre.
7 comments:
Mesmo distanciando-se, ninguém consegue afastar completamente o espectador de si.
Fiquei fascinado.
Fabuloso este teu "Ficcionar"... :)
Deixo-te uma frase de Anais Nin: "Não vemos as coisas como são. Vemos as coisas como somos. "
Um beijo grande
MARAVILHA !!!
Parabéns Escritora por todo este "ficcionar" !
li, gostei.
estou em duvida na foto...é na grécia? ou na turquia?
fica um beij
Belo, belo.
Empalidecemos os momentos para nos precavermos da sua morte,mas reanimamo-los para ressuscitarmos a cada instante.
Encantada perante o encanto da tua conjugação de palavras. A minha vénia...ESCRITORA!
subbscrevo a cns...
mas quem escreve tem sempre um pouco de pitonisa...
beijinhos délficos
CSD
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