
Na prática eu apenas tardo diante das letras impressas
Apenas ou ainda, o difícil é saber
E não é por desamor ou por inércia
É talvez porque me guia a proporção das coisas.
E a inquietação antiga do querer e do não querer.
Folheio as palavras e verto-as depois. E bebo-as;
Sirvo-me delas para agitar a seiva nos meus dedos
E ao senti-las percorrer todos os lados do meu corpo
Detenho-me na sede satisfeita
E deixo sair das mãos desenhos e segredos
Seguindo a direcção das minhas mãos abertas
Componho, em letras fáceis, os degraus do meu prazer.
E em dias cheios de planos por cumprir
É este o único amor a que me rendo.
A única cedência que acabo por fazer.
14 comments:
Que bonito!
Beijinhos
Obrigada, pirata, meu leitor "fiel"
Beijinhos para ti.
Ah, grande escritora:) bjs
que maravilha!!!! Beijocas
Não são rimas pobres.
Gostei muito.
Ao ler, tive sensações semelhantes às que me surgem quando leio o Pessoa
Apenas tardas porque chegas sempre para nos aconchegares. E nós também nos rendemos e aqui estamos para te ler.
Nem as rimas nem as palavras que escreves são pobres
"A única cedência que acabo por fazer"
Nem podes imaginar como compreendi.
Bonito...
Quanto à única cedência, só a posso entender como liberdade poética!
Respirei isto...com saudades do amor a que não me tenho rendido. Lá rimar, rima...Mas não é por isso que aqui se volta sempre com maior ou menor intervalo... Bjs
Eu tenho passado por cá de vez em quando. Mas há fases em que pouco ou nada escrevo. E muitos parabéns pelo guião para o filme! - está uma delícia.
Bjs
felizmente a tua inspiração está sempre presente e acredita que isso me faz muito feliz, espero que a ti também.Beijos enormes!!
O poema é rico. :)
como se podem apelidá-las de rimas pobres? líndissimas!!bom fim de semana e muitos beijos.
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