Vejo-me de fora, dentro da paisagem.Como se estivesse pousada numa nuvem acima do percurso dos pássaros.
Deitei-me na areia à beira do rebentar das ondas debaixo do mesmo céu que outros vêem e fiquei estendida, de olhos fechados a evitar a luz do sol.
De olhos fechados é como se nada existisse. As crianças fecham os olhos e ficam escondidas do mundo.
Vejo-me de cima, um corpo estendido na areia de uma praia, à beira de um oceano que começa ali e dá a volta ao mundo; no outro lado há também gente que se estende e fecha os olhos a evitar a luz do mesmo sol.
A dimensão do meu corpo vai perdendo importância; vista de cima sou uma entre os outros.
Retirei a máscara há muito tempo mas não dei conta da extinção dos medos.
Nunca damos pelo passar do tempo.
